A intolerância católica
Como sabem, a nossa Fé teologal é uma virtude infusa, que Deus nos dá, e que nos capacita para ver com nova pupila e aderir com a vontade à Revelação. Se eu disser: “nisto eu creio, naquilo não”. Sou eu então que estou escolhendo, sou eu que estou julgando. E nesse momento deixou de ser, para mim, divina, a Revelação e passou a ser opinião pessoal, escolhida por mim, julgada por mim. Não é Deus que me diz que é Senhor do Céu e da Terra; sou eu que lhe dou esse título.
O protestantismo consiste precisamente nisto. À Igreja Católica, única, global, maciça, os protestantes opõem mais de mil glosas que apareceram ao sabor da livre interpretação e do relativismo dogmático. E essa multiplicação de seitas, em confronto com a unidade católica, é a prova da decomposição de um corpo sem alma.
Se nos julgam loucos ou tolos por aceitarmos as arestas traçadas por Deus, toleraremos que assim nos julguem e que não queiram partilhar da mesma loucura. Mas não toleraremos que um católico, continuando a dizer-se católico, queira ser divorcista, ou queira inventar uma explicação sua para o mistério da Trindade. Querem ser tolerantes? Por que não começam pelo futebol? Por que não praticam a livre interpretação dos sinais de tráfego? Porque não toleram, antes dessa amálgama de religiões, a amálgama das relações conjugais, trocando maridos e esposas? Por que deve
rei ser zeloso nos negócios dos homens se sou tolerante nas coisas de Deus?
Dirijo-me aos católicos-liberais, e digo-lhes que a sua transigência doutrinária prova simplesmente que, para eles, a religião é a coisa menos importante do mundo. Ora, o catecismo nos ensina, ao contrário, que a religião é infinitamente mais importante do que o mais alto dos negócios humanos.
Consideremos o catolicismo complacente que faz vista grossa aos mandamentos. A atitude de seus praticantes é: por uma dor de cabeça procuram tendas espíritas, amuletos, curandeiros, caboclos do astral ou não sei que mais. Para reatar um namoro eles fazem o que os mártires recusavam fazer para fugir ao dente dos leões. O que querem é uma religião que nada queira deles; o que exigem é uma religião sem exigências; o que procuram é uma coisa vaga e mole que combine com a falta de caráter de seus adeptos.
Mas para o cristão que recebeu a Revelação, é ridícula qualquer atitude que fuja à intolerância dogmática. O católico que escolhe seus dogmas e seus mandamentos não é católico, é protestante. O católico que freqüenta sessões espíritas, ou utiliza médicos fantasmas, comete pecado contra a virtude da religião, ou contra a Fé, e sobretudo demonstra um insensato orgulho ou uma intolerável falta de caráter. Kisses!
bY dÉiA às
14h53
